08.10.2017

Há um certo tempo atrás, após sair do trabalho, encaminhei-me até uma livraria próxima, conforme sempre faço. Lá me deparei com um livro chamado “Alerta de Risco”, que me chamou bastante a atenção. Foi escrito por um dos meus favoritos autores: Neil Gaiman. O livro – embora seja de contos apresenta-nos a importância de inserir alertas de risco, para que pessoas frágeis possam evitar certas coisas antes de lê-las ou assisti-las.

Até hoje penso em como deveria inserir alertas de riscos em meus textos. Esse filme, se tivesse escolhido a política do alerta de risco, com certeza teria estampada tal frase em seu pôster. Um drama tenso que lhe faz sentir medo do que a raça humana é capaz de fazer uns aos outros e que lhe faz pensar dez vezes qual seria a forma mais segura para voltar para casa após sair do cinema. Esse sentimento irá lhe perseguir durante todo o longa. Acredite.

Animais Noturnos é denso e esteticamente impecável. Seu diretor, Tom Ford, conhecido estilista do mundo da moda, prova-nos  a não julgar um livro pela capa e mostra-nos como somos preconceituosos.
Ao procurar mais pelo diretor, soube que o mesmo cursava o mundo da moda. Redirecionei meus pensamentos à comédias como Zoolander, por exemplo, ignorando completamente o excelente drama de Direito de Amar, primeiro filme do diretor, em 2009. Animais Noturnos se encontra como um filme de suspense tão bom quanto os recentes Garota Exemplar, dirigido por David Fincher e Os Suspeitos, de Dennis Villenueve. A diferença é que você já espera um grande suspense do David Fincher, e, embora Os Suspeitos tenha sido o primeiro filme de Villeneuve em terreno norte americano, já não se tornava uma surpresa um ótimo suspense, após assistir a Incêndios, primeiro filme do diretor.
Tom Ford nos introduz no longa  de maneira magistral com uma extensa cena de garotas de torcidas obesas e nuas. Parte disso nos deixa ciente de que ele nunca será – não em seus filmes – o Tom Ford da moda, já que – infelizmente – nesse mundo, o padrão de beleza são as moças magras.
O filme apresenta três momentos. No presente, Susan (Amy Adams), após diversas viagens do marido, se encontra sozinha e lendo o livro enviado por seu ex namorado, Edward (Jake Gyllenhaal). Em seus momentos de leitura, acompanhamos junto da personagem o plot inteiro do livro escrito por Edward, onde um professor de escola chamado Tony (também Gyllenhaal) e sua esposa e filha são brutalmente ameaçados por jovens criminosos em uma estrada do Texas, até que isso resulta em sequestro, estupro e morte. Já o terceiro momento do filme surge um flashback de quando Susan conheceu, namorou e terminou com Edward, mostra-se um rapaz doce e gentil, diferente do atual marido da personagem.
A estética do filme é impecável. Embora não possua nenhuma diferença visual na transição do presente para os flashbacks, conseguimos acompanhar  bem o filme, devido à atuação de Amy Adams, ao interpretar uma jovem forte e decidida (no passado) e uma mulher já na meia idade, fria, frustrada e arrependida (no presente). O plot do livro – que acompanhamos junto de Susan – é o único que possui uma paleta de cores diferente das demais; talvez não proposital. Essa parte se passa no Texas, com cenas durante a manhã e isso gera uma necessidade de utilizar uma diferente coloração.
Jake Gyllenhaal se mostra mais uma vez o excelente ator ao interpretar dois personagens distintos, mas com resoluções próximas e desejos parecidos. Amy Adams está ótima e isso nos faz pensar como a atriz vem escolhendo bem os papéis que atua, afinal, vem sendo favorita ao Oscar após o filme “A Chegada”, do diretor Denis Villeneuve. Michael Shannon,  interpreta aqui um Xerife com câncer de pulmão e que se torna um bom amigo; além de fiel à justiça. A surpresa do filme vai para Aaron Taylor-Johnson, ator conhecido por interpretar o Mercúrio em “Os Vingadores: Era de Ultron”, e que sempre tenta emplacar filmes simples, como “O Garoto de Liverpool”. Entretanto nunca  recebeu atenção, conforme deveria. Aaron interpreta aqui um criminoso asqueroso, que nos faz sentir raiva e ódio. Uma atuação que difere de seus personagens sempre jovem e confuso com seu futuro, que encontramos em suas atuações, até mesmo em Godzilla. Porém, o maior mérito do filme na escalação de elenco se encontra em inserir Isla Fischer, conhecida atriz e praticamente sósia de Amy Adams, como esposa de Tony no plot do livro.
Animais Noturnos é muito capaz de entrar na lista de melhores filmes de 2016.
É espetacular o quanto ficamos interessados pela história do livro e a acompanhamos juntos a Susan. Animais Noturnos é, principalmente, uma história de vingança, mas que possui uma pitada de traição, arrependimento, desconfiança, e isso tudo nos deixa com um gosto de amargura no final.
Nota:
*Texto retirado do antigo blog “Arteceteras”
categorizado como: Destaques, Filmes
postado por Carol Barth
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